junho 2014

MATÉRIAS DO MÊS DE JUNHO DE 2014 - NÚMERO 177

 

1 - Corpore

David Cytrynowicz – Presidente da Corpore

Dr. Amadeu Armentano – Presidente do Conselho Deliberativo da Corpore

Prezado (a) corredor (a),

Copa do mundo, mundo da copa, mundo na copa.

O país veste chuteiras, o coração bate mais forte, tudo pelo pátrio futebol, mas, e o esporte, como gênero, visão ampla do vocábulo, ampla mesmo, todas as formas, maneiras, aptidões?

Em quarenta dias, seja qual for o resultado, adeus copa do mundo, acabou, finito, "the end", "punto  e basta".

As baterias da imprensa no geral, e em particular a esportiva, iniciarão o costumeiro bombardeio, com direito a contagem regressiva e tudo, visando as olimpíadas, sim, Jogos Olímpicos de 2016, não sem antes alguns fazerem o costumeiro estardalhaço nos Jogos Panamericanos, e como nosso povo em sua grande maioria tem cultura geral escassa, no que tange ao esporte (excluindo-se o futebol, é claro), nem se fale.

O grande e querido Adhemar Ferreira da Silva, quando o tempo do Pan chegava, ficava possesso com a parcela da imprensa que enaltecia, às raias do exagero, os resultados obtidos, criando a falsa expectativa de performance parecida nos Jogos Olímpicos.

Máscara, mascarando a triste e constante realidade das modalidades olímpicas em terras brasileiras.

Quem pensa que a responsabilidade é do COB, engana-se, esta entidade necessita de material humano para poder trabalhar com atletas de alta performance, visando prioritariamente Jogos Olímpicos.

Não se forma um atleta de alta performance em quatro ou oito anos, via de regra.

Ídolos esquecidos.

Voltando ao eterno Adhemar, vez por outra me dizia, “de quatro em quatro anos, eles me ressuscitam", com tristeza e uma pontinha de mágoa.

Modalidades sem recursos, pouco ou quase nada podem fazer.

Não se iludam, continuaremos vivendo de casos fortuitos, isolados, fruto do quase acaso.

Para pensar: - se um terço dos gastos megalômanos dispendidos com a nossa Copa do Mundo, seus inevitáveis atrasos e consequentes estouros nos orçamentos fossem gastos equanimemente entre as demais modalidades, em doze anos sonharíamos com performances mais robustas.

 Abraços

 Armentano

 

2 - Rosa Mota defende alvará para as corridas de rua

Mauro Roberto Chekin – Presidente da FPA

Para promover ainda mais as corridas de rua, prova do atletismo que anualmente reúne centenas de milhares de participantes, a FPA organizou, no último dia 13 de abril, a primeira edição da Corrida do Descobrimento.

O evento contou com a presença mais do que especial da grande campeã portuguesa Rosa Mota, hexacampeã da São Silvestre e uma das maiores maratonistas da história.

O evento, em memória ao Descobrimento do Brasil, foi uma realização conjunta, integrando o Governo de São Paulo, a Secretaria de Esportes da Prefeitura de São Paulo e o Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

A promoção coube à Rede Globo de Televisão, Beneficência Portuguesa, Câmara Portuguesa, Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo e Ivoire.

"A Corrida do Descobrimento é de uma importância enorme para mim. Desde a minha última vitória por aqui, nunca mais havia pisado em São Paulo de novo", disse Rosa Mota, que atualmente é vice-presidente do Comitê Olímpico de Portugal e participa de projetos de cunho esportivo e social.

Mota ficou sabendo dos esforços da FPA no processo de oficialização das corridas de rua, cujo êxito resultou, em 2013, em pouco menos de 300 corridas (realizadas com o devido alvará da Federação).

“Corrida não é aventura. Cada evento precisa ser organizado dentro de princípios universalmente estabelecidos, ou seja, com a devida participação da federação da modalidade. É preciso que os organizadores pensem na segurança dos corredores em primeiro lugar”, atestou Rosa Mota.

A maratonista aprovou, também, o esquema via internet de federação de atletas, posto em prática pela FPA, e que pretende reunir, em médio prazo, 50 mil corredores.

No total, a Corrida do Descobrimento teve três categorias: corrida de 10km, corrida de 6,3km e caminhada de 6,3km. Os corredores foram divididos por gênero, e os cinco primeiros colocados de cada uma subiram ao pódio para premiação.

Claudinei Souza, o vencedor oficial, e Vanilson Neves, o segundo, foram os primeiros a cruzarem a linha de chegada da prova mais longa entre os homens - na reta final do percurso, depois de muito correrem lado a lado, decidiram encerrar de mãos dadas, cravando idênticos 32m29s em seus tempos. Nos 10km feminino, a grande vencedora, que teve a honra de receber o troféu das mãos de Rosa Mota, foi a piauiense Maria da Silva, com o tempo de 42m37s.

"A Corrida do Descobrimento é uma oportunidade para estimularmos um sentimento que está muito esquecido e desgastado para a nossa população: o espírito cívico", declarou Hélio Rubens Aralhe, o superintendente técnico da FPA.

Presidência FPA

 

3 - Atividade física para todos

 

Dr. Ruggero Bernardo Guidugli – consultor de medicina e saúde

Prof. Roberto Losada Pratti – Diretor do jornal Atividade Física

Nestas últimas décadas têm ocorrido, não só no Brasil, mas também nos principais países industrializados, fenômenos de vida e de saúde que vêm preocupando autoridades sanitárias desses países, a Organização Mundial de Saúde e inúmeras sociedades médicas, esportivas e educacionais que visam a prática do bem e bem-estar da população.

A expectativa de vida das pessoas vem aumentando exponencialmente, já tendo ultrapassado os 74 anos. Isto não significa que a qualidade de vida tenha acompanhado este fenômeno, muito pelo contrário.

As doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão, cardiopatias, constituem praticamente uma epidemia e, embora seus fatores de risco sejam bem conhecidos (sedentarismo, obesidade, alimentação não saudável, tabagismo, alcoolismo, estresse) não há políticas públicas eficientes para combatê-los.

O sobrepeso e a obesidade já ultrapassaram a metade da população e, ano a ano, o número de obesos, e consequentemente de doentes, vem crescendo.

Resta ainda lembrar que a poluição e a falta de espaços públicos das grandes cidades desestimulam qualquer atividade e fazem com que as pessoas fiquem trancadas em apartamentos ou deem preferência ao automóvel, levando ao sedentarismo.

Se a sociedade civil não se mobilizar, toda a população terá pior qualidade de vida.

Diante desse quadro desolador propomos como solução que a sociedade se mobilize e que sejam incentivadas e realizadas atividades físicas para todos, preferencialmente gratuitas.

 

 

4 - Sedentarismo: necessitamos reagir

Dr. Ruggero Bernardo Guidugli – consultor de medicina e saúde           

           Pesquisa recente desenvolvida na Austrália com mais de 8.000 indivíduos considerados totalmente sedentários, observados por um período de 10 anos, concluiu que 15% desenvolveram câncer, e a maioria desenvolveu doenças degenerativas crônicas como diabetes, hipertensão e artrose.

          Em um grupo de controle menos sedentário, que caminhava ao menos 15 minutos por dia, houve pouco aparecimento de doenças crônicas.

          O simples fato de andar diariamente livra os indivíduos de ficarem doentes.

          Há um consenso de que o sedentarismo absoluto é um grande fator de risco para a maioria das doenças.

          Reconhecemos plenamente que em nossa cidade há poucas condições para vida mais saudável.

          Ela nos obriga ao abuso do automóvel, a respirar ar poluído, a utilizar elevadores e nos afasta de caminhadas porque o espaço público privilegia apenas o transporte individual.

          Embora as práticas saudáveis como a atividade física e o esporte sejam atividades estimuladas por entidades públicas, o favorecimento a fatores opostos é inequívoco.

          Se dia a dia a ciência recomenda cada vez mais a prática de atividade física, a sociedade parece caminhar em sentido contrário.

          E aí estão os resultados: 51% da população tem sobrepeso e o número de doenças crônicas não transmissíveis vem aumentando progressivamente.

          Necessitamos, portanto, reagir, ter um pouco de boa vontade e colocarmos mais nossos músculos em ação, pois é esta prática que nos deixa mias fortes e mais saudáveis.

 

5 - Idosos saudáveis e compressão da morbidade

Dr. Ruggero Bernardo Guidugli – consultor de medicina e saúde Engana-se quem pensa que a idade é sinônimo de doença.

Todo ser vivo, incluindo os humanos, ao ser concebido possui seu maior potencial biológico, e esse potencial vai decrescendo lentamente ao longo da vida, até ocorrer uma total inviabilidade.

Este ponto é muito variável e depende essencialmente das influências do meio ambiente, ou seja, fenótipo.

O homem, portanto, ao longo do envelhecimento não deveria ficar doente, mas ter apenas uma perda progressiva de função de seus órgãos.

As doenças advêm das agressões do meio ambiente – física, química, mecânica e social.

Se não há agressão, não há patologia (do grego patos = doença, sofrimento). O que ocorre no envelhecimento quando não há agressão é apenas perda da potencialidade vital das células.

Quando há grande disfunção e as agressões se tornam inevitáveis, ocorre a morbidade (do latim morbis = doença).

A compressão da morbidade – isto é, seu retardo – só pode ser conseguida através de um estilo de vida saudável.

Fatores agressivos como tabaco, vida sedentária, alimentação copiosa e com muita gordura, situações de estresse, impactos ambientais negativos e situações psicossociais degradantes seriam os principais causadores das doenças.

A epidemia de doenças crônicas não transmissíveis do mundo moderno levou a Comunidade Científica a pesquisar bem estes fatores de risco.

A conclusão é unânime. O sedentarismo, o tabagismo e a alimentação não saudável seriam os principais causadores das doenças, levando à má qualidade de vida na terceira idade.

E é um período que se torna mais necessário praticar atividade física, alimentação rica em frutas e verduras e abandono de hábitos não saudáveis, como o tabagismo que é considerado o maior causador de doenças evitáveis de toda a história da humanidade.

Tenha uma boa qualidade de vida. Comprima ao máximo a morbidade. Tenha um estilo de vida saudável praticando atividade física e evitando produtos de propaganda enganosa.

 

6 - Legislação concede auxílio mensal de R$ 57,00 a idosos para a prática de atividades físicas, esportivas ou de lazer

Ariane Pratti

Rosa Domingues Stancati

O Decreto 59.782, de 23 de novembro de 2013, instituiu o Programa Estadual destinado a conceder auxílio financeiro a idosos, a fim de lhes proporcionar a oportunidade de praticar atividades físicas, esportivas ou de lazer em clubes e academias de ginástica.

A Resolução SELJ nº 1, de 03 de janeiro de 2014, criou o Programa Cartão VidAtiva para maiores de 60 anos com renda familiar abaixo de 3 salários mínimos, que não são proprietários de bens com valor de mais de 5 mil UFESPs.

Os inscritos selecionados recebem um cartão magnético de R$ 57,00 por mês para ser utilizado em Clubes e Academias credenciadas.

O incentivo é para quem reside nas cidades de São Paulo, Santo André, Bauru, São José do Rio Preto, Santos, Osasco, Santo André, Guarulhos e Mogi das Cruzes.

Os Clubes e Academias deverão oferecer práticas de atividades físicas, desportivas ou de lazer que busquem ações de prevenção, reabilitação, reinserção social e ocupacional dos idosos.

As normas para a inscrição dos Clubes e Academias estão estabelecidas no Chamamento Público SELJ 01/2013, de 27 de novembro de 2013.

As atividades oferecidas são: natação, hidroginástica, tai chi chuan,  yoga, musculação, pilates, ginástica, alongamento, vôlei adaptado, caminhadas orientadas, jogos cooperativos, dança circular, dança de salão, malha, bocha, xadrez, damas, buraco, tranca.

Para inscrição veja www.selj.sp.gov.br/vidativa.php

 

7 - Corrida: steady state e LSD

Prof. Carlos Gomes Ventura

A longevidade e a saúde do indivíduo dependem da adequada atividade física e mental.

A boa forma ocorre quando a pessoa consegue unir seu estado mental e emocional à sua atividade física.

A atividade física para uma boa qualidade de vida independe da idade, desde que o indivíduo se prepare adequadamente para isso. Conheço pessoas que iniciaram seus treinamentos com mais de 70 anos.

Existe uma diferença entre as pessoas que praticam esporte pelo lazer e aquelas que praticam esporte para competir.

Correr pelo lazer é mais recomendável.

Ao procurar boas performances há o risco de surgirem problemas e lesões.

A performance, quando é obtida, torna-se passageira, pois depende de treinamento contínuo e disciplinado.

A corrida feita em estado de equilíbrio (segundo Van Aken, fisiologista austríaco) proporciona uma boa atividade aeróbia, fazendo com que o coração, nosso músculo involuntário, fique hipertrofiado adequadamente. E este talvez seja o problema de muitas pessoas que não correm como deveriam fazê-lo, tornando os treinos de corrida verdadeiras competições.

Treinamentos feitos inadequadamente na adolescência podem prejudicar no futuro. Às vezes são feitos empiricamente, usando força e velocidade erroneamente.

Todo indivíduo deve ser orientado sobre seus batimentos cardíacos, saber o que é condição aeróbia e o que é condição anaeróbia, procurando primeiramente correr em "steady state", que significa estado de equilíbrio, que é a base de uma boa atividade de corrida e passaporte para a saúde.

Iniciar com corridas longas e lentas (LSD) é a melhor maneira de tornar as pessoas saudáveis e longevas.

Em alguns países como Itália, Alemanha e Grança a Educação Física prioriza o trabalho aeróbio.

Correr em "steady state" proporcionará uma condição física adequada e longevidade.

 

8 - Treino para a Maratona

Prof. Luis Tavares

Correr maratona e terminar em boa condição física é consequência de longo período de treino adequado.

 A planilha a seguir é apenas um exemplo de treinamento para um corredor com determinada condição física visando a Maratona do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 2014, por isso não deve ser seguida.

O treino deve ser individualizado e elaborado por um profissional com CREF.

02/06/14-Segunda-Descanso

03/06/14-Terça-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

04/06/14-Quarta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

05/06/14-Quinta-8 x 1000 m a 90% da frequência cardíaca com intervalo 200 m trote

06/06/14-Sexta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

07/06/14-Sábado-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

08/06/14-Domingo-30 km leve a 70% da frequência cardíaca

09/06/14-Segunda-Descanso

10/06/14-Terça-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

11/06/14-Quarta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

12/06/14-Quinta-10 x 1000 m a 90% da frequência cardíaca com intervalo 200 m trote

13/06/14-Sexta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

14/06/14-Sábado-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

15/06/14-Domingo-25 km leve a 70% da frequência cardíaca

16/06/14-Segunda-Descanso

17/06/14-Terça-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

18/06/14-Quarta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

19/06/14-Quinta-12 x 1000 m a 90% da frequência cardíaca com intervalo 200 m trote

20/06/14-Sexta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

21/06/14-Sábado-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

22/06/14-Domingo-25 km leve a 70% da frequência cardíaca

23/06/14-Segunda-Descanso

24/06/14-Terça-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

25/06/14-Quarta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

26/06/14-Quinta-12 x 1000 m a 90% da frequência cardíaca com intervalo 200 m trote

27/06/14-Sexta-10 km leve a 70% da frequência cardíaca

28/06/14-Sábado-8 km leve a 70% da frequência cardíaca

29/06/14-Domingo-32 km leve a 70% da frequência cardíaca

30/06/14-Segunda-Descanso

 

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