MATÉRIAS DE FEVEREIRO DE 2014 - NÚMERO 174

1) O TREINO DE UM CAMPEÃO

Ariane Losada Pratti – Redatora do jornal Atividade Física

Mês passado, o jornal Atividade Física lançou o vídeo “Treino de elite - também para amantes da corrida”, que pode ser assistido no link TREINO DE CAMPEÃO. Além do treino de corredores de elite, aborda também o treino de amadores e fatores que favorecem o desempenho de africanos na corrida. Foi produzido com base na entrevista dos três primeiros colocados na São Silvestre 2013.

Alguns quenianos que competem na São Silvestre são patrocinados pela Fila e ficam em Nova Santa Bárbara, no Paraná. São treinados por Moacir Marconi, conhecido como Coquinho, que foi corredor profissional.

Edwin Rotich (foto) venceu a mais tradicional corrida pedestre brasileira em 2013 com o tempo 43min 47s. Isso equivale a uma média de 2min55s / km = 20,5 km/h.

O TREINO DE ROTICH

Para a São Silvestre, correu uma prova por dia, 15 km. Correu também 25 km, 2 vezes por semana. A média semanal foi de 120 km.

DESCANSO

Edwin Rotich tem um dia de descanso por semana, em geral, de repouso total.

Anualmente, após um período de competições, Edwin para por 2 semanas.

O intervalo de Rotich entre uma prova e outra de 10 km é de, no mínimo, 10 dias.

TREINO DE VELOCIDADE

Rotich declarou que prefere o fartlek ao intervalado. Este último é totalmente controlado: tempo de duração, velocidade e batimentos cardíacos.

O fartlek, por sua vez, originalmente, consiste apenas em revezar os tiros e descanso, de acordo com a disposição do indivíduo. Atualmente, há variações. Geralmente se controla o tempo de realização.

trote de Rotich (chamado por ele de “descanso” não é cronometrado, porém, é, em média, 3 min 40 s/ km. Exato, este é o “ descanso” e não o tiro.

O tiro de Rotich durante o minuto é de 2 min 30 s/km.

Este treino de velocidade tem a duração de 1 hora.

IMC

Naturalmente, campeões de corrida não precisam fazer dieta nos hotéis em que se hospedam. O Índice de Massa Corporal de corredores profissionais geralmente é mais baixo do que o padrão recomendado, IMC de 18,5 a 25. O IMC abaixo de 18,5 é considerado zona de desnutrição.

O IMC é obtido dividindo o peso em kg pela altura x altura (em metros).

IMC = Kg/alt2

Vamos calcular o IMC de Rotich, que tem 51 kg e 1,73 m

IMC = Kg/alt2 = 51/1,732

IMC = 51/2,99

IMC = 17,04

Portanto, o campeão da São Silvestre, segundo os padrões, estaria na zona da desnutrição e precisaria engordar.

DESCIDA

Ao contrário de muitos, nenhum dos 3 primeiros colocados da São Silvestre 2013 considera a descida um desafio. Mark Korir, o 2º lugar, diz que o grau de dificuldade do aclive e declive é o mesmo. O 3º lugar, Stanley Koech, concorda com o 1º, Rotich, e afirma que se sente mais confortável na descida.

O campeão afirmou que o treinamento para a descida consiste mais na passada do que num exercício específico. Repare que a maioria dos profissionais que corre bem na descida sincroniza a passada, controlando o impacto. “Descer travando” e ir contra a gravidade pode acarretar lesões.

O SEGREDO

Conforme detalhado no vídeo, são dadas diversas explicações para as frequentes vitórias dos quenianos, tais como: genética, corrida em equipe, ídolos de infância, etc.

Na verdade, o importante para o desempenho é o treino, que sempre exige dedicação, seja do profissional, seja do amador que se esforça para encaixar o treino em sua rotina.

2) CORPORE

Dr. David Cytrynowicz - Presidente da CORPORE

Dr. Amadeu Armentano - Presidente do Conselho Deliberativo da CORPORE

Prezado(a) corredor(a),

Início de ano, novo calendário. As provas previstas para este ano são as seguintes:

DATA

Evento

Percursos

Local

02/02/14

Corrida Oral-B

7 km

Campo de Marte

09/03/14

Abertura do Circuito Corpore

5 e 11 km

USP

13/04/14

Meia Maratona Internacional Corpore

5 e 21,1 km

USP

11/05/14

Prova do GRAACC

3,1 e 10 km

Ibirapuera

25/05/14

Prova no Pomar/Marg. Pinheiros

4 e 10 km

WTC

20/07/14

Prova dos Bombeiros

10 km

Ipiranga

10/08/14

Prova do Centro Histórico/Troféu Dq.Caxias

9 km

Centro

31/08/14

Disney Magic Run

3,1 e 10 km

Ibirapuera

12/10/14

Corrida da Amizade

7 km

Monte Líbano

26/10/14

Prova do Shopping Aricanduva

4 e 9 km

Aricanduva

23/11/14

SP Classic/Troféu Zumbi dos Palmares

3,1 e 10 km

Ibirapuera

07/12/14

Prova de Natal Corpore

4 e 10 km

WTC

 

 

3) O TREINAMENTO DE TODOS

Roberto Losada Pratti – Diretor do jornal Atividade Física

Todos podem correr, desde que princípios sejam seguidos e a corrida seja feita conforme a condição física do indivíduo, como consta no link “Runyoga - Treino de Corrida”, no site www. atividadefisica.net

Quando qualquer assunto é discutido, deve-se primeiramente definir o objeto da discussão, sob pena de não haver acordo porque as pessoas estão falando de coisas diferentes com a mesma palavra.

Para definir o treino de corrida é necessário antes definir o que é correr.

Muita gente define corrida como competição e velocidade. Até em dicionários consta: deslocar-se num andamento veloz.

Mas o que é veloz?

Veja nesta edição, na matéria “Treinamento de campeão”, que a velocidade de 3min40s/km é “descanso” para o campeão, mas para muitos é uma velocidade inimaginável.

E não atingir a mesma velocidade do que outro não é problema, pois o homem mais veloz do mundo é uma tartaruga perto de um guepardo e seria presa fácil.

Definiremos correr como o movimento em que, em certos momentos, os pés estão afastados do solo, e andar como o movimento em que sempre um pé está apoiado no solo.

Portanto, segundo a definição, correr não é deslocar velozmente e não é andar rápido.

Observe em parques e em corridas que tem gente que corre na velocidade de quem anda.

Definiremos ato de correr como a passada sincronizada e harmoniosa com minimização de gasto energético.

A energia da corrida longa vem da queima dos nutrientes pelo oxigênio.

Correr constantemente aumenta a capacidade aeróbica e é possível percorrer distâncias maiores.

Quem corre em conformidade com o ato de correr fortalece a musculatura envolvida no movimento da corrida e, como sua passada é sincronizada e harmoniosa, há também diminuição da possibilidade de lesão.

Assim, um treino que todos podem realizar é correr conforme o ato de correr, ou seja, com passada compatível com sua condição física, pois a sua capacidade aeróbica aumentará, sua musculatura fortalecerá e será possível percorrer maiores distâncias sem lesões, melhorando a condição física e a qualidade de vida.

 

4) Leve a sua corrida a sério. Faça parte do cadastro de corredores de rua da FPA

Mauro Roberto Chekin - Presidente da Federação Paulista de Atletismo

A corrida de rua continua sendo a prova do atletismo que mais cresce em São Paulo, no Brasil e no mundo.

Podemos registrar que, hoje, a prática é a mais buscada pela população.

Centenas de milhares de pessoas participam de eventos do gênero em todo o estado bandeirante.

São homens e mulheres que buscam melhorar sua condição física e até se profissionalizar.

À FPA cabe adotar, em sua área de atuação, normas técnicas e de segurança mundialmente reconhecidas, tendo em vista que a entidade é a lídima representante, em São Paulo, da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e da International Association of Athletics Federations (IAAF).

Para tanto, age junto aos organizadores para que retirem o alvará correspondente ao evento idealizado, assegurando representatividade e, principalmente, segurança aos atletas.

Para incentivar ainda mais as pessoas a praticarem o esporte, que representa mais saúde, educação, cultura e inserção social, a FPA quer profissionalizar tão importante segmento.

Isso será possível na medida em que o maior número de atletas possível busque se federar na entidade.

Propomos vantagens aos interessados.

Por uma taxa anual de R$ 65,00, além de reconhecimento maior o federado terá direito a benefícios como acesso à fisioterapia (no Complexo Esportivo do Ibirapuera) e expressivo desconto em assistência odontológica (mediante convênio com a Sorridents).

Outras ações estão sendo analisadas. E quanto maior for o número de federados, maiores serão as possibilidades de formatação de vantajosas parcerias.

Ao final de 2014, nossa meta é reunir dezenas de milhares de cadastrados, obtendo, com isso, um fortalecimento ainda maior das corridas de rua.

Não perca tempo. Não faça da sua corrida uma aventura. Seja um federado!

www.atletismofpa.org.br

e-mail:sac@atletismofpa.org.br

Tel: (11)3884-1211 R214 (Departamento de Corridas de Rua)

Mauro Roberto Chekin

Presidente da Federação Paulista de Atletismo

 

5) Suplemento vitamínico não tem efeito terapêutico

Dr.Ruggero Bernardo Guidugli – Consultor de Medicina e Saúde

Recente pesquisa dos serviços de saúde dos Estados Unidos sobre suplementos vitamínicos concluíram que estes não têm efeito algum sobre a prevenção do óbito e do câncer e sobre o melhor desempenho do sistema cardiovascular.

Durante anos persistiu o conceito de que a falta de microelementos na dieta favoreceria a instalação de doenças neoplásicas e prejudicaria o desempenho do coração.

As evidências atuais concluem que o sedentarismo e uma dieta não balanceada seriam os principais responsáveis pela instalação dessas doenças.

Hoje há unanimidade entre estudiosos de que a prática regular de exercícios físicos e uma dieta rica em frutas e verduras poderiam evitar tanto o câncer como as doenças cardiovasculares.

Deixamos aqui a orientação para que as pessoas que desejam melhorar sua qualidade de vida e queiram prevenir-se de neoplasias e cardiopatias não procurem fórmulas milagrosas e sigam a orientação baseada nas evidências médicas, que apontam para um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e prática de atividade física.

 

 

6) Novos estudos sobre obesidade

Dr.Ruggero Bernardo Guidugli – Consultor de Medicina e Saúde

No início deste século alguns estudos supunham que o sobrepeso e a obesidade não ofereciam riscos, contudo os exames clínicos e laboratoriais dos pacientes – pressão arterial, circunferência abdominal, colesterol, entre outros, – estavam dentro da faixa de anormalidade.

Importante pesquisa realizada no Canadá, coordenada por Caroline Kramer, publicada em dezembro de 2013, no Annals of Internal Medicine, concluiu que ninguém acima do peso pode ser considerado saudável.

O trabalho de primeira linha – um mega-trials de revisão com mais de 60 mil pacientes – obedecendo todos os melhores critérios das evidências médicas aponta que 1/4 dos obesos têm maior chance de morrer de infarto, ou derrame cerebral, quando comparados com magros.

É sabido que o excesso de peso, além de estar relacionado com essas doenças cardiovasculares que provocam a morte, tem estreita relação com o diabetes, câncer e osteoartrite.

O adipócito – célula gordurosa – em certas circunstâncias pode ocasionar problemas.

Orientamos que não há milagres: para reduzir o peso devemos fazer com que o adipócito, ao invés de produzir substâncias tóxicas, se transforme em energia, e isso só é possível através da prática da atividade física.

 

7) 2014: de planos à ação

Rosana Gidugli Varga - Carlos Alberto da Silva - ultramaratonistas

Janeiro é o mês das promessas, da renovação e rejuvenescimento, do recomeço, porém, também pode trazer uma certa pressão, ou até mesmo uma “cilada”, ou seja, já no inicio as promessas que deixam de ser cumpridas nos trazem frustrações, portanto o ideal seria formularmos promessas, metas, realizações que sejam realistas, alcançáveis e planejadas.

Se você prometeu uma mudança de habito; deixar o sedentarismo visando a melhora de sua qualidade de vida através da “Atividade Física”, seguem algumas dicas:

Planeje o seu ano esportivo. Faça planejamentos de curto, médio e longo prazo, por exemplo, determinar uma distância curta, 5 km, para o primeiro trimestre e, logo após alcançar seu objetivo, vá para uma distância média, 10 km. No segundo e terceiro trimestre, logo depois de consolidar sua conquista, planeje uma distância maior para o quarto trimestre.

Já imaginou correr a São Silvestre de 2014? Isso pode perfeitamente ser alcançado se seu planejamento for elaborado de maneira racional e coerente.

Também sugerimos alguns ingredientes indispensáveis para quem quer realizar suas promessas de fim de ano, que são: perseverança, foco, dedicação, disciplina, paciência, determinação, fé, amor ao seu objetivo, e uma dose exagerada “cavalar” de boa vontade. Inclusive esses ingredientes, servem para qualquer aspecto da vida, não apenas para abandonar o sedentarismo.

Compartilhe com seus amigos suas metas, eles irão te inspirar na conquista e você irá inspirá-los quando conquistá-las.

Ação. Agora só falta começar. Comprometa-se e mãos à obra.

Envie seu objetivo para nós, compartilhe sua meta e iremos ajudá-lo.

(cas_dealer@hotmail.com / roguidugli@yahoo.com.br)

 

 

8) Ciências do Esporte

Prof. Ms. Luis Felipe T. Polito

Os praticantes de corrida, em grande número ao redor do mundo, têm os mais diversos objetivos, dentre eles a qualidade de vida, perda de peso corporal, competição recreacional, competição profissional.

Essa diversidade de objetivos e de condição física de cada corredor torna necessário que a modalidade seja foco dos mais diversos estudos na área das Ciências do Esporte, que perpassam as mais distintas disciplinas que se atentam em explicar os fenômenos físicos, orgânicos e bioquímicos envolvidos nas adaptações agudas e crônicas frente ao exercício físico.

Esses estudos científicos melhoram a performance dos corredores profissionais – e também amadores – e a saúde e qualidade de vida da população.

 

9) Distensões musculares

Prof. Carlos Ventura – Técnico de Atletismo

As distensões musculares não são muito comuns em corredores de longas distâncias, ela é mais frequente em corredores de velocidade.

Quando ocorre este tipo de problema, o atleta deve procurar ficar em repouso por duas a três semanas e fazer um programa muito bem elaborado pelo seu médico ou técnico com alongamentos para o devido fortalecimento.

As distensões musculares podem advir de má alimentação, excesso de treinamento ou poucos treinos condizentes e até mesmo cáries dentárias.

Muitas vezes, uma distensão muscular pode ser causada por um esforço inadequado, também por alongamentos ou exercícios não recomendados.

Observa-se que muitos atletas não fazem aquecimento e alongamentos de forma correta, devido à pressa em iniciar seus treinos, outros, terminam sem se alongarem.

Este tipo de conduta conduz o corpo a prováveis distensões musculares, por isso, a precaução para evitar distensões musculares é feita desde o primeiro dia de treinamento, para qualquer individuo, em qualquer idade.

Você sabia?

Ariane Pratti

 

Em setembro de 2011, dentários foram responsáveis por lesões musculares de Caio, meia da Ponte Preta, conforme constatado pelo fisioterapeuta do time.

As bactérias de infecções dentárias, como de cáries, podem circular no organismo pela corrente sanguínea, alojando-se em determinados grupos musculares. Elas se escondem em um grupo de fibras chamadas “fibras colágeno”, onde a lesão muscular geralmente ocorre.

 

 

10) Periodização

Prof. Luis Tavares

Da mesma forma que nas escolas e faculdades os professores fazem o planejamento escolar daquilo que será dado durante o ano letivo, no atletismo acontece a Periodização de treinamento, que é o planejamento de tudo do treino dos atletas durante o ano. Nele constarão as principais competições que farão, bem como a época do ápice da sua forma, já que é impossível se manter no ápice o ano todo.

A Periodização do treinamento é dividida basicamente em: transição, base, específico e competitivo.

Transição: São as férias. Nesse período é aconselhável praticar outro esporte que não seja a corrida. A recuperação física e psicológica é total nesta fase. Duração: 2 semanas.

Base: Período mais importante do ano, é desenvolvido muito trabalho de força e resistência muscular. Visa um trabalho quantitativo. Duração: 10 semanas.

Específico: Como o próprio nome diz, é o trabalho específico dentro de sua modalidade, ou seja, se você for maratonista, começará a treinar basicamente para maratona. Nesse período é dada bastante ênfase para os intervalados e fartlek. Duração: 10 semanas.

Competitivo: Nessa fase diminui-se o volume de treinamento gradativamente e intensifica-se o treinamento dando mais qualidade ao trabalho. Nesse período se espera que o atleta esteja no ápice da sua forma física. Duração: 8 semanas.

Como pode se ver, o treinamento não se resume em o técnico passar o treino. Há um planejamento minucioso para que o atleta chegue em condições de atingir 100% de forma física.

Portanto, respeitem o planejamento de seus treinadores, evitando treinar acima do que foi pedido.

 

ABAIXO ESTÃO OS LINKS DAS MATÉRIAS DOS MESES EM QUE FORAM PUBLICADAS NO JORNAL ATIVIDADE FÍSICA, É SÓ CLICAR.

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